Por EBC,
O Grupo dos Dez retoma os trabalhos em Belo Horizonte com uma apresentação única do espetáculo Madame Satã, neste domingo (01), às 20h, no Sesc Palladium. A volta aos palcos da capital mineira marca novo momento da companhia, que completa 15 anos de trajetória e reafirma o teatro negro como pilar fundamental da cultura brasileira.
Dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã integra o projeto “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e apresentação da Petrobras. A iniciativa prevê mais de 60 apresentações em sete estados, reunindo obras inéditas, espetáculos consagrados e ações formativas voltadas ao diálogo entre arte, memória e território.
Além da reapresentação de Madame Satã, a programação comemorativa inclui a estreia do novo espetáculo Afroapocalíptico, no dia 13 de março, no Palácio das Artes.
Caio Bonfim ganha prata em etapa mundial da marcha atlética na China
Idoso de 91 anos comove com atitude diária envolvendo a sobrinha-bisneta em dias de aula
A montagem parte da cosmovisão do congado mineiro para construir uma experiência artística imersiva, sensorial e política.
Como outros coletivos de teatro independente, o grupo enfrentou períodos de suspensão e incertezas após a pandemia.
O retorno à cidade, que recebeu o espetáculo pela última vez em 2018, carrega o desejo de expandir fronteiras, descolonizar narrativas e reafirmar o teatro negro como elemento estruturante da produção cultural brasileira.
Co-diretor e dramaturgo do espetáculo e coordenador do projeto comemorativo, Rodrigo Jerônimo destaca o valor simbólico da retomada.
Samira fica sem chão ao ouvir conversa secreta e faz descoberta amarga no BBB26
Derrubar Irã busca deter China e projetar Israel, dizem analistas
“Chegar aos 15 anos significa olhar para trás e reconhecer tudo o que conquistamos, mas também reafirmar que nosso trabalho só ganha sentido quando é capaz de criar coletivamente e transformar realidades”, afirma.
Para a artista e diretora musical Bia Nogueira, a volta aos palcos consolida uma vocação que sempre esteve no centro da companhia: fazer da arte um meio de encontro, escuta e pertencimento.
“Estar de volta com essa temporada é potencializar vozes que refletem o Brasil em toda a sua diversidade e afirmar que a arte deve ser acessível a todas as pessoas”, diz.
Madame Satã é o terceiro espetáculo do grupo e se vale da biografia de João Francisco dos Santos para dialogar com a crítica à homofobia, à transfobia e ao racismo.
A obra também dá visibilidade a personagens historicamente empurrados para as margens da sociedade, ao abordar histórias que não se enquadram na heteronormatividade vigente.
Montado originalmente em 2014, o musical estreou em 2015 e permaneceu em circulação até 2019, com apresentações em diversas capitais brasileiras. Entre os reconhecimentos recebidos estão o Prêmio Brasil Musical 2019, na categoria melhor espetáculo musical da Região Sudeste, e o Prêmio Leda Maria Martins 2017, como melhor espetáculo.
Rodrigo Jerônimo ressalta ainda que o espetáculo passa por atualizações ao longo de sua trajetória. Segundo ele, acompanhar a história de Madame Satã é aceitar um convite ao deslocamento e à escuta de narrativas que a sociedade insiste em marginalizar.
“Apesar de discursos de ódio estarem impregnados em nossa sociedade desde os primórdios, é importante mostrar que os crimes permanecem impunes e continuam acontecendo no Brasil, como o assassinato do povo negro, indígena e LGBTs”, afirma.
Madame Satã é o único espetáculo de João das Neves ainda em cartaz entre mais de 40 trabalhos dirigidos pelo encenador.
Criado em 2009, o Grupo dos Dez consolidou-se como referência nacional ao investigar a interseção entre o teatro negro e o teatro musical brasileiro, inspirado nas tradições populares, africanas e indígenas.
Ao longo da trajetória, a companhia lançou luz sobre temas como a homoafetividade, os desafios enfrentados pela população negra, a luta das mulheres e o enfrentamento às opressões contra pessoas LGBTQIAPN+.
Além da produção de espetáculos, o grupo mantém iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura afro-indígena, como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras, o Festival Imune e o Laboratório Editorial Aquilombô. As ações contribuem para a promoção da empregabilidade negra LGBTQIAPN+ no teatro, na literatura e na música.
Ao retomar as apresentações em Belo Horizonte, a companhia reafirma a importância do teatro negro como espaço de memória, formação, pertencimento e produção de novas narrativas, ao mesmo tempo em que projeta o futuro de um trabalho comprometido com a transformação social por meio da arte.