Itaú muda estratégia e transforma anuidade em mensalidade: entenda o impacto para os clientes
Uma mudança silenciosa, mas com potencial de transformar o mercado de cartões de crédito no Brasil, começou a ser implementada pelo Itaú Unibanco. A tradicional cobrança de anuidade está sendo substituída por um novo conceito: a mensalidade.
Apesar de parecer apenas uma alteração de nome, o movimento revela uma estratégia muito mais profunda — e que pode impactar diretamente a forma como os clientes enxergam e utilizam seus cartões.
De anuidade para mensalidade: o que muda na prática?
Historicamente, a anuidade sempre foi vista como uma cobrança anual, mesmo quando parcelada na fatura. Esse modelo, por si só, cria uma sensação de compromisso mais longo, o que muitas vezes gera resistência na contratação de cartões — especialmente os de alta renda.
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Com a mudança para “mensalidade”, o Itaú busca justamente quebrar essa barreira psicológica. A nova nomenclatura aproxima o cartão de crédito de serviços por assinatura, como streaming ou plataformas digitais, onde o cliente paga mês a mês e pode ajustar ou cancelar com mais facilidade.
Na prática, porém, a cobrança continua existindo — apenas com outra forma de apresentação.
Estratégia segue tendência do mercado
O movimento do Itaú não acontece por acaso. Outras instituições já adotam modelos semelhantes, como o Nubank com o Ultravioleta e a Revolut, que opera com planos baseados em assinatura em diversos países.
Essa tendência indica uma transformação no mercado: o cartão de crédito deixa de ser apenas um meio de pagamento e passa a ser tratado como um serviço contínuo, com benefícios recorrentes que justificam a cobrança mensal.
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Flexibilidade ou estratégia comercial?
Segundo explicações fornecidas pelos canais de atendimento do próprio banco, a mensalidade funciona basicamente da mesma forma que a anuidade. O valor será cobrado mês a mês enquanto o plano estiver ativo, e mudanças de categoria passam a refletir imediatamente na fatura seguinte, como no Itaú The One.
Além disso, o cliente pode trocar de plano com facilidade pelo aplicativo ou central de atendimento, reforçando a ideia de flexibilidade.
Mas especialistas apontam um ponto importante: essa mudança pode dificultar negociações de isenção.
Vai ficar mais difícil conseguir isenção?
Um dos principais atrativos de cartões premium sempre foi a possibilidade de negociar anuidade — seja por volume de gastos, relacionamento com o banco ou campanhas promocionais.
Com a mudança para mensalidade, essa lógica pode mudar. Afinal, se o produto passa a ser tratado como uma assinatura, a tendência é que o desconto ou isenção deixe de ser tão comum quanto antes.
Isso pode impactar diretamente cartões de alta renda, como o Itaú The One Mastercard Black, que já possuem benefícios robustos e custos elevados.
Mudança pode afetar decisões dos clientes
Diante desse novo cenário, muitos clientes começam a reavaliar seus cartões. A percepção de valor passa a ser ainda mais importante, já que o custo deixa de ser visto como uma taxa anual e passa a ser uma cobrança recorrente — mais visível no dia a dia.
Isso pode levar a um aumento na migração entre cartões ou até cancelamentos, principalmente se o cliente não perceber benefícios claros que justifiquem o pagamento mensal.
O futuro dos cartões premium
A mudança do Itaú sinaliza uma tendência maior no mercado financeiro: a transformação dos cartões em plataformas de serviços.
Mais do que acumular pontos ou oferecer limite alto, os cartões passam a competir por engajamento contínuo, oferecendo experiências, benefícios mensais e integração com outros serviços.
Nesse cenário, a forma como o preço é apresentado pode ser tão importante quanto o valor cobrado.
E a troca de “anuidade” por “mensalidade” pode ser apenas o começo de uma nova fase para os cartões de crédito no Brasil.
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