{"id":459691,"date":"2026-04-22T19:03:17","date_gmt":"2026-04-22T22:03:17","guid":{"rendered":"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/04\/22\/como-a-ditadura-militar-criou-um-imperio-do-ensino-privado\/"},"modified":"2026-04-22T19:03:17","modified_gmt":"2026-04-22T22:03:17","slug":"como-a-ditadura-militar-criou-um-imperio-do-ensino-privado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/04\/22\/como-a-ditadura-militar-criou-um-imperio-do-ensino-privado\/","title":{"rendered":"Como a ditadura militar criou um imp\u00e9rio do ensino privado"},"content":{"rendered":"<p>Por EBC, <\/p>\n<div>\n<p>Em 1976, no auge da ditadura militar brasileira, um pr\u00e9dio constru\u00eddo com verba p\u00fablica para ser uma escola da rede municipal de ensino &#8211; a Escola Polit\u00e9cnica de Foz do Igua\u00e7u, no Paran\u00e1 &#8211; foi entregue \u00e0 iniciativa privada dias antes da inaugura\u00e7\u00e3o. O benefici\u00e1rio foi o Col\u00e9gio Anglo-Americano, contratado pela Itaipu Binacional para educar os filhos dos funcion\u00e1rios da hidrel\u00e9trica. O epis\u00f3dio marcou o nascimento de uma rede nacional de ensino particular sustentada, em grande parte, por recursos federais.<\/p>\n<p>O edif\u00edcio da escola Polit\u00e9cnica tinha sido constru\u00eddo para ajudar a reduzir o d\u00e9ficit escolar em Foz do Igua\u00e7u, que, na \u00e9poca, segundo relato do governo estadual \u00e0 imprensa local, tinha 3 mil pessoas em idade escolar fora das salas de aula.\u00a0<\/p>\n<p>O professor aposentado da Universidade Estadual do Oeste do Paran\u00e1 (Unioeste) Jos\u00e9 Kuiava era o inspetor de ensino do munic\u00edpio na ocasi\u00e3o e recorda o momento em quem recebeu a ordem de entregar as chaves da rec\u00e9m-constru\u00edda escola para o dono do Col\u00e9gio Anglo Americano, Ney Suassuna.\u00a0\u201cA ordem veio de Curitiba, via telefone, do diretor-geral da SEC [Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o] professor Ernesto Penauer, determinando que eu entregasse as chaves do pr\u00e9dio ao senhor Ney Suassuna\u201d, lembra Kuiava.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo ele, a situa\u00e7\u00e3o gerou constrangimento: \u201ceu j\u00e1 tinha dado na r\u00e1dio, nas not\u00edcias dos jornais da inaugura\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio, para que os alunos da regi\u00e3o fossem atendidos l\u00e1. De repente tive que suspender tudo e dizer \u2018olha, o col\u00e9gio foi entregue nas m\u00e3os do Anglo-Americano, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Itaipu\u2019\u201d.<\/p>\n<p>O contrato foi\u00a0 assinado entre o Anglo-Americano, Itaipu e a Unicon, o cons\u00f3rcio de empreiteiras respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o da usina, em fevereiro de 1976. No acordo, as empreiteiras &#8211; remuneradas com recursos p\u00fablicos de Itaipu &#8211; asseguravam o pagamento m\u00ednimo de 1.000 vagas. Mas no primeiro ano de funcionamento, o col\u00e9gio tinha mais de 10 mil alunos matriculados. No auge das obras, chegou a ter mais de 14 mil estudantes.\u00a0<\/p>\n<p>Esta reportagem faz parte do projeto <em>Perdas e Danos<\/em>, o podcast da <strong>Radioag\u00eancia Nacional<\/strong> que investiga a ditadura militar e que est\u00e1 na segunda temporada.<\/p>\n<p>Mais detalhes sobre a pol\u00edtica da ditadura que beneficiou uma escola privada em detrimento da rede p\u00fablica de ensino est\u00e3o no epis\u00f3dio 3 da 2\u00aa Temporada: <em>Pedagogia do Privil\u00e9gio<\/em>.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=460325:cheio_8colunas --><\/p>\n<p>    <!-- END scald=460325 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Col\u00e9gio Anglo-Americano, na zona sul do Rio de Janeiro &#8211; Foto:\u00a0<strong>Arquivo Nacional\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=460325--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<h2>Galinha dos ovos de ouro<\/h2>\n<p>O contrato com o Anglo-Americano fixava os valores das mensalidades que variavam de CR$ 300 a CR$ 500 (cruzeiro, a moeda ent\u00e3o adotada pelo Brasil) a serem pagas por Itaipu, al\u00e9m do reajuste anual das mensalidades. Como refer\u00eancia, em 1975, a creche Casa da Crian\u00e7a, para crian\u00e7as de baixa renda no Rio de Janeiro, cobrava uma mensalidade de CR$ 70. Diferente de outras escolas privadas, o Anglo-Americano n\u00e3o corria o risco de inadimpl\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>Denise Sbardelotto, professora da Unioeste, estudou o projeto pedag\u00f3gico de Itaipu e avaliou o contrato com o Anglo-Americano como desvantajoso para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cItaipu e a Unicom constroem todos os pr\u00e9dios, toda a infraestrutura, desde carteiras, mobili\u00e1rios, de coisas mais simples \u00e0s mais complexas, como o material pedag\u00f3gico, e entrega para o Anglo-Americano administrar, por muitos e muitos anos. E lucrar. Era uma galinha dos ovos de ouro\u201d, conclui Denise.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>Crescimento de 2.800%<\/h2>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, o Col\u00e9gio Anglo-Americano era uma escola tradicional do Rio de Janeiro, com duas unidades na zona sul da capital fluminense. Depois de Itaipu, registrou um crescimento de 2.800%, considerado extraordin\u00e1rio pelo pr\u00f3prio dono da institui\u00e7\u00e3o, Ney Suassuna: \u201cEu fiquei pasmo de ver que era um mundo. O meu col\u00e9gio no Rio tinha 500 alunos, o de l\u00e1 tinha 14\u00a0 mil\u201d.<\/p>\n<p>O Anglo-Americano foi comprado por Ney Suassuna cerca de um ano antes do contrato com Itaipu. Paraibano, o hoje suplente de senador e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, fincou ra\u00edzes no Rio de Janeiro ao trabalhar no Minist\u00e9rio do Planejamento, um dos mais poderosos do per\u00edodo ditatorial. Ele era assessor de ministros da pasta, entre eles Roberto Campos, figura central do regime autorit\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n<h2>A\u00e7\u00e3o entre amigos<\/h2>\n<p>Segundo Ney Suassuna, o contrato foi firmado a partir de um encontro que ele solicitou com o ent\u00e3o diretor-geral de Itaipu, general Jos\u00e9 Costa Cavalcanti. Os contatos pol\u00edticos garantiram a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCheguei dizendo que era do Minist\u00e9rio do Planejamento, que tinha trabalhado com o ministro. Eu cheguei com o meu curr\u00edculo na frente\u201d, conta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da confirma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Suassuna, n\u00e3o encontramos ind\u00edcios de que houve um processo p\u00fablico para a contrata\u00e7\u00e3o da empresa. Denise Sbardelotto tamb\u00e9m n\u00e3o achou nada que comprovasse um processo licitat\u00f3rio:<\/p>\n<p>\u201cEstive muitas vezes nos arquivos de Itaipu, busquei por todos os lugares, todas as fontes em Foz do Igua\u00e7u, C\u00e2mara Municipal, e eu realmente n\u00e3o encontrei nenhum documento que garanta que foi licita\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos realmente um caso de escolha pol\u00edtica arbitr\u00e1ria de um grupo educacional\u201d, disse\u00a0Sbardelotto.<\/p>\n<h2>Ramo lucrativo\u00a0<\/h2>\n<p>O contrato abriu as portas de outras estatais para Ney Suassuna, como o contrato com a hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed, no Par\u00e1, e com a Petrobras para atender fam\u00edlias brasileiras no Iraque. O Anglo-Americano tamb\u00e9m ficou respons\u00e1vel por atender os filhos dos funcion\u00e1rios que trabalharam na constru\u00e7\u00e3o de Itaipu no lado paraguaio. Os contratos turbinaram a empresa.<\/p>\n<p>\u201cDe repente, eu tinha quase 50 mil alunos. Come\u00e7ou a crescer e eu comecei a fazer faculdades. Fiz nada mais, nada menos, do que faculdades desde o Rio Grande do Sul at\u00e9 a Para\u00edba. De tudo medicina, economia, direito, tudo\u201d, lembra Suassuna.<\/p>\n<p>S\u00f3 seis anos depois do fim das obras de Itaipu, em 1988, o Anglo-Americano passou a receber alunos de fora da usina. Em 1990, repassou a escola mais simples para o Poder Municipal. E tr\u00eas anos depois come\u00e7ou a pagar o aluguel do pr\u00e9dio ocupado por quase 20 anos.<\/p>\n<h2>Chuta-barros<\/h2>\n<p>Reproduzindo uma l\u00f3gica que permeou toda a obra de Itaipu, a estrutura educacional era diferente conforme a classe social. O Anglo-Americano era, na verdade, mais de um. Existiam duas unidades do col\u00e9gio.<\/p>\n<p>Existiam tr\u00eas vilas habitacionais para abrigar os funcion\u00e1rios de Itaipu e da Unicon, divididas conforme a posi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na empresa. A vila A e B, onde viviam funcion\u00e1rios com melhores sal\u00e1rios, eram atendidos por uma escola mais bem equipada. A unidade ficava em uma \u00e1rea arborizada da cidade e contava com biblioteca, laborat\u00f3rios de qu\u00edmica e f\u00edsica, hortas, fanfarra, \u00e1rea de exposi\u00e7\u00f5es e audit\u00f3rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 os filhos dos trabalhadores bra\u00e7ais moravam na Vila C e estudavam numa unidade feita de madeira pr\u00e9-fabricada, 60 salas de aula, um gin\u00e1sio e duas quadras descobertas.<\/p>\n<p>Valdir Sessi estudou em ambas as escolas, pois a unidade melhor eventualmente recebia alunos da vila oper\u00e1ria, e lembra que as desigualdades &#8211; e a diferen\u00e7a de tratamento &#8211; eram evidentes na sala de aula.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA viol\u00eancia simb\u00f3lica j\u00e1 definia. A roupa, o cabelo, o t\u00eanis, j\u00e1 denunciavam a classe social dentro do col\u00e9gio, ent\u00e3o n\u00e3o precisava ser um vidente para dizer quem era rico e quem era pobre. A professora n\u00e3o tinha dificuldade na aula para dirigir a palavra dela, entendeu? Tinha colega que usava a botina que o pai dava para ele quando j\u00e1 n\u00e3o dava mais para usar no canteiro de obra\u201d, disse.\u00a0<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, Denise Sbardelotto descobriu que havia um nome para os estudantes da escola mais simples, os chuta-barros. \u201cPorque eles vinham com barro nas solas dos cal\u00e7ados\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n<p>Diferente da Vila A, que foi asfaltada antes, a Vila C, onde moravam os trabalhadores bra\u00e7ais, n\u00e3o tinha asfalto e a lama marcava os estudantes.\u00a0<\/p>\n<p>Denise conta que outra diferen\u00e7a mais profunda era o projeto pedag\u00f3gico. Na ditadura, o ensino m\u00e9dio profissionalizante era obrigat\u00f3rio. No Anglo-Americano da Vila A, os cursos preparavam para o ensino superior. J\u00e1 na Vila C, nem existia o segundo grau.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAos filhos dos trabalhadores mais subalternos, era destinada uma educa\u00e7\u00e3o de primeiro grau e na sequ\u00eancia eles eram encaminhados para cursos profissionalizantes, no Senai ou qualquer outro curso ofertado nos centros comunit\u00e1rios. Alguns poucos que queriam fazer o segundo grau tinham que ir para Vila A. Aceitava-se [como alunos], mas eram os famosos chuta-barros\u201d, conta Denise.<\/p>\n<h2>D\u00e9ficit educacional<\/h2>\n<p>Para os moradores de Foz de Igua\u00e7u, os problemas educacionais aumentaram. Quando Itaipu come\u00e7ou a ser constru\u00edda, o munic\u00edpio tinha apenas duas unidades de ensino de segundo grau, sendo uma de educa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.\u00a0<\/p>\n<p>A partir da constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se agravou. Para se ter uma ideia, em 10 anos, a popula\u00e7\u00e3o de\u00a0 Foz de Igua\u00e7u quadruplicou. Eram 34 mil habitantes em 1970, antes da constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica. Saltou para 136 mil em 1980.<\/p>\n<p>Para a constru\u00e7\u00e3o da usina foram desapropriados 1,8 mil km\u00b2, incluindo territ\u00f3rios ind\u00edgenas, no Brasil e no Paraguai. Cerca de 40 mil pessoas foram retiradas de suas terras s\u00f3 no lado brasileiro. Nesse processo, Denise calcula que 95 escolas na regi\u00e3o tamb\u00e9m foram por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p>Com o incha\u00e7o populacional, Foz do Igua\u00e7u precisou reduzir a carga hor\u00e1ria de todos os estudantes da rede p\u00fablica para implantar um terceiro turno de aula no que seria o intervalo de almo\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cFoi dif\u00edcil, porque tinha um turno que era das 11h \u00e0s 14h. Na hora do almo\u00e7o\u201d, lembra Kuiava.<\/p>\n<p>Itaipu indenizou parte das escolas inundadas e investiu em projetos espec\u00edficos para construir novas unidades, mas em n\u00famero inferior \u00e0s institui\u00e7\u00f5es fechadas. Denise Sbardelotto considera o investimento feito \u00e0 \u00e9poca inexpressivo diante do montante direcionado ao Anglo-Americano.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas iniciativas pontuais de reforma de algumas escolas de periferia, rurais, algumas escolas em outros munic\u00edpios nos arredores, mas eram reformas e amplia\u00e7\u00f5es muito \u00ednfimas, muito inexpressivas, comparadas ao montante de recursos canalizados ao Anglo-Americano por muitos anos\u201d.<\/p>\n<h2>Outro lado<\/h2>\n<p>Procuramos a Itaipu Binacional e perguntamos se o contrato com o Anglo-Americano era um acordo razo\u00e1vel, se seguiu boas pr\u00e1ticas do setor p\u00fablico e se existiam registros do motivo que levou Itaipu a optar pela educa\u00e7\u00e3o privada ao inv\u00e9s de estruturar a rede p\u00fablica de ensino.<\/p>\n<p>A empresa n\u00e3o respondeu diretamente as d\u00favidas, mas afirmou que a chegada de milhares de trabalhadores a Foz do Igua\u00e7u exigiu a cria\u00e7\u00e3o de infraestrutura inexistente, como moradias, hospital e o Anglo-Americano. E afirmou que havia qualidade de ensino.<\/p>\n<p>\u201cNo Anglo-Americano, os filhos dos chamados barrageiros tinham acesso a uma educa\u00e7\u00e3o integral, gratuita e inovadora para o per\u00edodo, que inclu\u00eda, al\u00e9m das disciplinas tradicionais, atividades art\u00edsticas, culturais e de campo, apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a e teatro e sess\u00f5es de cinema. Relatos de ex-alunos e professores indicam que esse modelo educacional contribuiu significativamente para a forma\u00e7\u00e3o dos estudantes\u201d, disse Itaipu em nota.<\/p>\n<p>A nota tamb\u00e9m cita a\u00e7\u00f5es atuais para afirmar que o \u201capoio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o permaneceu ao longo dos anos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo evidenciado pela atua\u00e7\u00e3o da Itaipu na mobiliza\u00e7\u00e3o para a instala\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (Unila), em 2010&#8243;.<\/p>\n<p>A \u00edntegra da nota est\u00e1 na p\u00e1gina do podcast.<\/p>\n<p>Hoje, o Anglo-Americano de Foz do Igua\u00e7u n\u00e3o pertence mais a Ney Suassuna. Entramos em contato com a institui\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o houve retorno.\u00a0<\/p>\n<p>Questionado sobre a escolha de Itaipu em direcionar os recursos p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o para sua empresa, Ney Suassuna disse que o poder p\u00fablico n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de estruturar a rede p\u00fablica de ensino. \u201cA cidade de Itaipu tinha muito pouca gente e n\u00e3o tinha os pr\u00e9dios, n\u00e3o tinha nada, n\u00e3o tinha outra forma a n\u00e3o ser essa. N\u00e3o tinha a menor chance. Nem no municipal e nem tampouco no estadual. Em nenhum lugar, n\u00e3o tinha nada. N\u00f3s \u00e9ramos os desbravadores\u201d.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por EBC, Em 1976, no auge da ditadura militar brasileira, um pr\u00e9dio constru\u00eddo com verba p\u00fablica para ser uma escola da rede municipal de ensino &#8211; a Escola Polit\u00e9cnica de Foz do Igua\u00e7u, no Paran\u00e1 &#8211; foi entregue \u00e0 iniciativa privada dias antes da inaugura\u00e7\u00e3o. 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