{"id":466064,"date":"2026-09-02T09:49:26","date_gmt":"2026-09-02T12:49:26","guid":{"rendered":"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/09\/02\/cai-numero-de-assassinatos-no-campo-mas-aumenta-o-de-conflitos\/"},"modified":"2026-09-02T09:49:26","modified_gmt":"2026-09-02T12:49:26","slug":"cai-numero-de-assassinatos-no-campo-mas-aumenta-o-de-conflitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/09\/02\/cai-numero-de-assassinatos-no-campo-mas-aumenta-o-de-conflitos\/","title":{"rendered":"Cai n\u00famero de assassinatos no campo, mas aumenta o de conflitos"},"content":{"rendered":"<p>Por EBC, <\/p>\n<div>\n<p>O Brasil teve mais conflitos agr\u00e1rios no primeiro semestre deste ano, mas o n\u00famero de pessoas assassinadas no campo diminuiu em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (2) pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), que aponta o aumento da mercantiliza\u00e7\u00e3o e da financeiriza\u00e7\u00e3o da terra no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Nos primeiros seis meses deste ano, a comiss\u00e3o contabilizou seis assassinatos no campo, enquanto, de janeiro a junho de 2025, foram 27<\/strong>. O n\u00famero de conflitos, por outro lado, subiu de 798 para 841.<\/p>\n<p>O Maranh\u00e3o se manteve como o estado que mais registrou conflitos no campo nos seis primeiros meses de 2026, com 156 casos. Na sequ\u00eancia, est\u00e3o Par\u00e1 (90), Bahia (85), Rond\u00f4nia (63) e Amazonas (63).<\/p>\n<p>Os dados relativos ao primeiro semestre de 2026 servir\u00e3o para avalia\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias dos conflitos no campo neste ano e v\u00e3o contribuir para o relat\u00f3rio anual \u201cConflitos no Campo Brasil&#8221;, que ser\u00e1 lan\u00e7ado em 2027.<\/p>\n<p>Os levantamentos s\u00e3o realizados com base nas fontes coletadas pelos agentes da CPT em todo o Brasil, al\u00e9m de not\u00edcias veiculadas pela imprensa, divulga\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es parceiras da CPT ao longo do ano.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO campo brasileiro est\u00e1 distante do que chamamos de um lugar de paz, onde as pessoas n\u00e3o precisam sempre resistir para a perman\u00eancia na terra\u201d, definiu a coordenadora nacional da CPT, Cec\u00edlia Gomes, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o, <strong>o n\u00famero de assassinatos foi menor, mas se mant\u00e9m uma caracter\u00edstica do ano passado que s\u00e3o os massacres<\/strong>, quando h\u00e1 o assassinato de mais de uma pessoa.\u00a0<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Cec\u00edlia Gomes e da CPT, tem se intensificado a mercantiliza\u00e7\u00e3o e a financeiriza\u00e7\u00e3o da terra, com a atua\u00e7\u00e3o de fundos de pens\u00e3o e o interesse nas chamadas terras raras, que, muitas vezes, est\u00e3o em comunidades tradicionais e camponesas.<\/p>\n<p>\u201cToda essa corrida pela terra e pelo que tem na terra acontece cada vez mais no territ\u00f3rio brasileiro, no sentido da financeiriza\u00e7\u00e3o da terra\u201d, denunciou Cec\u00edlia.<\/p>\n<h2>Conflitos por terra<\/h2>\n<p>Os casos registrados neste ano s\u00e3o em grande maioria conflitos por terra (711), seguidos por conflitos por \u00e1gua (100) e ocorr\u00eancias de trabalho escravo rural (30).<\/p>\n<p>Os 711 conflitos por terra\u00a0incluem casos de viol\u00eancia e de resist\u00eancia envolvendo ocupa\u00e7\u00f5es e acampamentos. Enquanto as viol\u00eancias aumentaram de 584 para 663, as resist\u00eancias mantiveram a tend\u00eancia de queda dos \u00faltimos 10 anos e ca\u00edram de 66 para 48 casos.\u00a0<\/p>\n<p>O Maranh\u00e3o (153) tamb\u00e9m concentra a maior parte desses conflitos, seguido pela Bahia (76), Par\u00e1 (68) e Rond\u00f4nia (54). Outro destaque foi o estado do Amazonas, onde as ocorr\u00eancias subiram 140% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2025 \u2500 de 37 para 52.<\/p>\n<p><strong>A forma de viol\u00eancia mais frequente nos conflitos por terra foi a contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos<\/strong>, que aumentou de 98 para 169 casos, seguida de invas\u00e3o aos territ\u00f3rios (de 96 para 109), desmatamento ilegal (de 67 para 107) e amea\u00e7a de despejo (de 63 para 70). O CPT atribui essas viol\u00eancias \u00e0 expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, destacando o estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Cec\u00edlia Gomes alertou para a gravidade da viol\u00eancia por agrot\u00f3xicos, usados como arma qu\u00edmica:\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vai matar no momento inicial, mas vai matando o sujeito aos poucos\u201d.<\/p>\n<h2>Conflitos pela \u00e1gua<\/h2>\n<p>Os conflitos pela \u00e1gua foram constatados em 20 estados, com significativa expans\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro semestre do ano passado \u2500 um aumento de 47 para 100 registros.\u00a0<\/p>\n<p>O Par\u00e1 teve o maior n\u00famero de ocorr\u00eancias (16), seguido por Minas Gerais (11), Amazonas (10) e Mato Grosso (10).\u00a0<\/p>\n<p>No caso do Par\u00e1, o CPT informou que os primeiros meses deste ano t\u00eam sido marcados pela luta dos povos ind\u00edgenas contra a privatiza\u00e7\u00e3o dos rios, por parte do governo federal, e contra a a\u00e7\u00e3o de garimpeiros. H\u00e1 tamb\u00e9m a luta de ribeirinhos e outros povos contra a atua\u00e7\u00e3o de mineradoras.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Pastoral lembrou que a luta dos ind\u00edgenas contra a privatiza\u00e7\u00e3o dos rios resultou na revoga\u00e7\u00e3o do Decreto n\u00ba 12.600\/2025, em fevereiro de 2026. A medida inclu\u00eda hidrovias nos rios Madeira, Tapaj\u00f3s e Tocantins no\u00a0Programa Nacional de Desestatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=315686:cheio_8colunas --><\/p>\n<p>    <!-- END scald=315686 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Vista em sobrevoo do Rio Mucaja\u00ed, afetado pelo garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena Yanomami. Foto:\u00a0<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=315686--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<h2>Trabalho escravo<\/h2>\n<p>As ocorr\u00eancias de trabalho escravo rural ca\u00edram no primeiro semestre de 2026, com 30 registros\u00a0contra 101 no mesmo per\u00edodo de 2025.\u00a0<\/p>\n<p>Do mesmo modo, o n\u00famero de trabalhadores vitimados\u00a0passou de 842 para 355. O maior contingente de trabalhadores resgatados ocorreu no primeiro semestre de 2023, quando 1.395 pessoas foram encontradas nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Um dos destaques nesse eixo foi o estado de S\u00e3o Paulo, que apresentou os maiores n\u00fameros de trabalhadores resgatados (148) e de casos registrados (cinco)<\/strong>. Em tr\u00eas dessas ocorr\u00eancias, os trabalhadores foram encontrados em atividades de plantio e corte de cana-de-a\u00e7\u00facar.\u00a0<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia contra a pessoa<\/h2>\n<p>Entre os seis assassinatos registrados at\u00e9 junho em conflitos no campo est\u00e1 inclu\u00eddo o massacre de tr\u00eas posseiras registrado em L\u00e1brea (AM). Houve ainda dois ind\u00edgenas assassinados, em Roraima e Mato Grosso do Sul, e um trabalhador rural sem-terra. As v\u00edtimas tinham entre 14 e 45 anos.<\/p>\n<p>A CPT informa tamb\u00e9m que os n\u00fameros de casos e de v\u00edtimas da viol\u00eancia aumentaram, passando de 418 para 588 e de 308 para 497, respectivamente.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia com maior incid\u00eancia foi a contamina\u00e7\u00e3o por min\u00e9rios, com 195 casos. N\u00e3o houve not\u00edcia\u00a0dessas ocorr\u00eancias no primeiro semestre de 2025.\u00a0<\/p>\n<p>Todos esses registros foram em\u00a0Jacareacanga, no Par\u00e1. As agress\u00f5es decorreram do garimpo ilegal de ouro na Bacia do Rio Tapaj\u00f3s e atingiram a Terra Ind\u00edgena Munduruku.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos (132 em 2026, contra 10 nos primeiros seis meses do ano passado), a criminaliza\u00e7\u00e3o (51 contra 46) e os ferimentos (42 contra 26) tamb\u00e9m se destacam entre as formas de viol\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>As principais v\u00edtimas foram os povos ind\u00edgenas, os trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, os posseiros, os seringueiros e os quilombolas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=367140:cheio_8colunas --><\/p>\n<p>    <!-- END scald=367140 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\"><!--copyright=367140-->A comunidade quilombola de Santa F\u00e9, no munic\u00edpio de Costa Marques, em Rond\u00f4nia, teve 74 fam\u00edlias inclu\u00eddas no Plano Nacional de Reforma Agr\u00e1ria. Foto:\u00a0<strong>ASCOM\/INCRA RO<\/strong><!--END copyright=367140--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<h2>Manifesta\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Embora n\u00e3o integre o c\u00e1lculo dos conflitos no campo, as manifesta\u00e7\u00f5es representam importante estrat\u00e9gia das comunidades para denunciar as viol\u00eancias sofridas e lutar pela garantia de seus direitos, sendo uma forma de resist\u00eancia contabilizada pela CPT.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2026, houve 284 manifesta\u00e7\u00f5es, um aumento em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro semestre de 2025, que teve 253. A CPT cita como destaques os atos p\u00fablicos, marchas, protestos, romarias, bloqueios de rodovias, ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos e outras mobiliza\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>As principais reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o pela demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, contra os agrot\u00f3xicos, contra a minera\u00e7\u00e3o e a privatiza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=459006:cheio_8colunas --><\/p>\n<p>    <!-- END scald=459006 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Marcha de ind\u00edgenas de todo pa\u00eds que participam do Acampamento Terra Livre &#8211; ATL 2026. Foto:\u00a0<strong>Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=459006--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>Cec\u00edlia Gomes afirmou que a CPT entra no campo n\u00e3o somente para denunciar, mas para mostrar como os povos atuam na resist\u00eancia e no enfrentamento a essas formas de mercantiliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da terra.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEla colabora e est\u00e1 junto das comunidades nesses enfrentamentos. A CPT n\u00e3o s\u00f3 documenta. Ela est\u00e1 l\u00e1 auxiliando nas viv\u00eancias com esses povos e comunidades na resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a entidade atua na perspectiva de constru\u00e7\u00e3o de incid\u00eancias e pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o campo. A constru\u00e7\u00e3o de documentos \u00e9 tamb\u00e9m nessa perspectiva, indicou Cec\u00edlia.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por EBC, O Brasil teve mais conflitos agr\u00e1rios no primeiro semestre deste ano, mas o n\u00famero de pessoas assassinadas no campo diminuiu em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. 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